Seis meses longe das palavras. Nesse meio ano de silêncio, de introspecção, vivi uma mudança brusca, talvez a maior de todas: uma mudança de mim. Estou mais tudo: velha (embora com a alma jovem), séria (mesmo que alegre), saudosa (e viajante para matar a saudade), brincalhona (mesmo nos momentos difíceis), prática (e cercada de toda a impaciência do mundo).
Vivi momentos adolescentes, aprontei divertidas coisas boas e chego aqui com uma certeza: eu não gosto de incomodação barata, nunca gostei. As aporrinhações de todo o dia ou gente que amigo meu é gente por mim deletada do mundo.
Essa fidelidade que sempre tive aos meus amigos/amores me leva a barbaridades como numa reunião em que um cara (nojento) defendia num monólogo irritante suas ideias. O cara (que já tinha magoado um dos presentes à mesa, meu amigo) é do tipo que gosta de piadas idiotas e sem propósito para “descontrair”. Numa dessas piadas “oi”, resolvi dizer o nome da criatura e acabar de vez com aquele papo que me irritava. Em alto e bom som, disse minha primeira palavra entre aquele círculo de pessoas: “PICA”. Todos me olharam e juntos, num momento insano, riram. Me retratei e disse: “BICCA”.
A correria ou a impaciência com alguém que me faz silenciar tem seu lado bom. Só um cara de pau tem a capacidade inconsciente de dizer pica, manter a seriedade e seguir em frente. E é assim que eu vivo: destrambelhada, cara de pau e dizendo pica para os outros, porque com os meus amores, ninguém mexe.

alaska!!!