A arte de cultivar um buço

13 09 2010

Dia desses, um amigo me disse que não comemora ano-novo. Entendo o asco a festas de final de ano, mas Reveilón é, para mim, uma festa sagrada e que limpa a alma para começar um ano no mínimo, de forma divertida. Vejam o que pode acontecer numa festa dessas:





Para os chatos: pica

22 08 2010

Seis meses longe das palavras. Nesse meio ano de silêncio, de introspecção, vivi uma mudança brusca, talvez a maior de todas: uma mudança de mim. Estou mais tudo: velha (embora com a alma jovem), séria (mesmo que alegre), saudosa (e viajante para matar a saudade), brincalhona (mesmo nos momentos difíceis), prática (e cercada de toda a impaciência do mundo).

Vivi momentos adolescentes, aprontei divertidas coisas boas e chego aqui com uma certeza: eu não gosto de incomodação barata, nunca gostei. As aporrinhações de todo o dia ou gente que amigo meu é gente por mim deletada do mundo.

Essa fidelidade que sempre tive aos meus amigos/amores me leva a barbaridades como numa reunião em que um cara (nojento) defendia num monólogo irritante suas ideias. O cara (que já tinha magoado um dos presentes à mesa, meu amigo) é do tipo que gosta de piadas idiotas e sem propósito para “descontrair”. Numa dessas piadas “oi”, resolvi dizer o nome da criatura e acabar de vez com aquele papo que me irritava. Em alto e bom som, disse minha primeira palavra entre aquele círculo de pessoas: “PICA”. Todos me olharam e juntos, num momento insano, riram. Me retratei e disse: “BICCA”.

A correria ou a impaciência com alguém que me faz silenciar tem seu lado bom. Só um cara de pau tem a capacidade inconsciente de dizer pica, manter a seriedade e seguir em frente. E é assim que eu vivo: destrambelhada, cara de pau e dizendo pica para os outros, porque com os meus amores, ninguém mexe.





Piscina virou saudade

16 02 2010

A vida de uma mulher solteira gira em torno de trabalho, reuniões sociais e viagens. Cada uma tem a sua prioridade e parto do principio que o trabalho é um momento do dia que serve para pagar a vida que todo o mundo merece ter. Nasci para o footing e vivo para viajar, rir com gente leve e legal, amar minha família e me apaixonar.

Nas idas e vindas da vida, na minha cidade natal, conheci um carinha meigo, importado e gato. O moço, sério e comprometido, fez com que eu ficasse na minha. Tempos depois, voltei à cidade e reencontrei o bonito. Achei que valia, investi. A cidade estava um forno naqueles dias e descobrir a piscina que nos cercava foi fundamental para manter a noite de lua sorridente como uma pintura para a posteridade.

Foi um encontro incrível, de duas pessoas que se curtiram, mas aí…
Uma semana depois, pensando no cara, resolvi dar sinal de vida. Como? Mandando um SMS. Sucinta enviei:

- Piscina

E deu. Assim mesmo, “piscina”.

A loucura é tanta que nem consigo achar surreal. Fica a dica: não mande “piscina”, envie saudade.

*** O vídeo ‘Água na Carol’ mostra o retardamento feminino em fazer as coisas sem pensar. Ok, é carnaval. Mas a resposta certa da Carol deveria ser “olhos”. Optou por astronauta. Me identifico, eu disse piscina. ***





Do mergulho na virada ao bloco de areia na calcinha

20 01 2010


Manter a bunda em sigilo é um poder dos anônimos

Nos segundos iniciais de 2009 – sem motivo aparente – pensei em dar um mergulho na praia. Na Porto Alegre vazia daquele Réveillon, só me restava descansar para encarar um dia intenso de trabalho já nas primeiras horas do dia 1º de janeiro. E assim foi o ano passado: trabalho, trabalho e mais trabalho. Teve mudança também, e a chegada a São Paulo foi na verdade a grande virada que vivi.

Um ano depois, no Rio de Janeiro, deixei de lado as milhares de simpatias que sempre fiz nos dias 31 de dezembro. Drinque vai, drinque vem, percebi que estava ali, naquela cidade, exatos 365 dias depois de desejar aquele mergulho. A cobertura lotada da virada em Ipanema era a algumas quadras da praia, em um ponto seguro e discreto já que nesse dia a loucura do Rio acontece mesmo em Copacabana. Uma amiga queria respirar o ar de Iemanjá, já a ideia da outra era a de pular as “sete ondas”.

E lá, na beira da praia, corri feito uma desesperada, tirei o vestido e pulei na água. Enquanto a amiga das ondas pulava (também seminua) dentro d’água, a outra tomava conta de nossas roupas. Criei uma nova simpatia e resolvi pular 12 ondas (uma para cada mês do ano) já que eu nunca entendi a lógica das sete ondas mesmo. Após o mergulho, nos recompomos, vestimos os trajes e voltamos para a festa da cobertura como se ninguém fosse capaz de perceber nosso sal no lombo.

Aquele amigo, percebeu…

- Tá brotando areia de ti. Tá caindo pelas pernas.

- Pois é, tá estranho, eu tomei uma ducha, respondi.

- Mas tu mergulhaste?

- Do pescoço pra baixo para manter o cabelo e a maquiagem.

- “A fina”, mas tá expelindo areia, resolve isso, me aconselhou o amigo.

O tijolo de areia que se criou na minha calcinha fez um rastro da beira-mar ao apartamento. Porque sem um mico, Roupa Velha não teria estreado bem 2010.





Guia prático para metrossexuais não iniciados

6 10 2009

Você não sabe o real motivo para o fim daquele affair? Pois então descubra o que a cueca diz sobre um homem, postado hoje por Roupa Velha no blog
Em Busca do Phino.





Eu amo os teus pais

3 10 2009

Na tradução do alemão para o português: "Eu amo os teus pais"

Ter muitos amigos significa, necessariamente, conviver com a superação do outro. Eu não sou normal, mas isso todo o mundo sabe. O que poucos sabem é que tenho amigos mais insanos que eu. Casados ou solteiros, os homens de 30 têm provocado em mim gargalhadas deliciosas.

Em uma noite fria do inverno deste ano – que foi rigoroso em Porto Alegre -, fui a um bar delicioso especializado na culinária basca. Tem lareira, sofás, meia-luz, clima e o melhor: drinques exóticos. Nesta noite o bar se dividia assim: os que convidados de Roupa Velha (noite de comemoração do aniversário de 31 anos), os convidados do amigo viajante (despedida do cara que foi para a Austrália no dia seguinte) e os convidados de ambos.

Drinque vai, cerveja vem, alguns foram dando adeus, enquanto os solteiros se animavam cada vez mais. Dentre as amigas do viajante estava uma galera européia: moças que moram e estudam na cidade. Meninas da Alemanha atraem o olhar de todo o gaúcho, não pelo biótipo (porque descendente de alemão tem “a rodo” em Porto Alegre), mas pelo sotaque e a vontade de fazer um intercâmbio sexual.

O galã, amigo em comum de Roupa Velha e do viajante, ficou horas e horas investindo na ruiva alemã. O cara tem um histórico sensacional: já angariou muitas das minhas amigas, é o tipo que parece tímido, bom papo, boa companhia, bonito. Ao ver todo o mundo no caixa para pagar a conta, inclusive sua ruiva, galã ruma ao bote final ao que naquela altura já figurava a repescagem.

- Tu só me disseste o teu apelido, mas qual é o teu nome?, perguntou ele para a alemã que, sim, fala português.

- Frederica!, respondeu com um sorriso.

- Ahhhh! Frederica é tudo! EU AMO OS TEUS PAIS, gritou o galã enlouquecido para a guria.

Ela estranhou a frase, mas seguiu a conversa. Eu me descontrolei e ri por uma semana. O amigo viajante achou o cara desesperado e a amiga que nos acompanhava estava certa de que o galã teve um surto durante a gritaria.

Fato é: quando eu saí do bar, galã e ruiva alemã estavam aos beijos.





Duas mulheres, muitos homens, um amigo

24 09 2009

Sempre viajo a la Telma e Louise, mas me mantenho viva

Aos 21 anos fui curtir meu primeiro verão solteira em Santa Catarina. O namoro terminara há pouco tempo e eu estava numa fase leve, com vontade curtir a vida, dançar sem preconceitos, experimentar coisas novas e me divertir. Minha amiga conhecida como “sereia do mar” me acompanhou na primeira de muitas viagens que viriam. Abrimos os trabalhos em Garopaba e as férias seguiram na Guarda do Embaú (ô lugar lindo), mas esta é outra história.

Duas mulheres de vinte, sozinhas, em uma praia paradisíaca é necessariamente igual a diversão, gargalhadas, paixões, bebidas e beijos na boca. É raro conquistar um amigo numa situação dessas, mas eu tive sorte em meio a loucura de uma noite quente.

Na primeira noite abrimos os trabalhos em um bar à beira-mar sentindo o cheiro da brisa e curtindo o agradável silêncio da maré. Em meros 5 minutos no local, sentam-se ao nosso lado dois argentinos. Era um blá-blá-blá-blá-blá surreal que a gente não aguentou. Queríamos fugir dali, e foi o que fizemos. Duas horas depois, já em outra praia, descobrimos que nenhuma pagou a conta. Não sentimos culpa: naquela época o peso estava igualado ao dólar e o real desvalorizado, então 1 peso argentino valia R$ 2. Nem doeu no bolso dos caras.

- E agora, como vamos pra Ferrugem?, perguntei.

- Com os nossos novos amigos que nos ofereceram carona mais cedo, respondeu minha amiga.

No carro dos tais guris mineiros, rumo à noite da Ferrugem, decidimos com um simples olhar dar um perdido neles assim que chegássemos à praia. O motivo? Ao entrar na estrada de chão batido que dá acesso ao lugar, o trio mineiro sacou dos bolsos um charuto de maconha.

Descemos do carro, inventamos uma vontade louca de ir ao banheiro, e demos a fuga. Paramos num bar hip hop da Ferrugem, abrimos os trabalhos de jogadas de cabelo, olhares e papos furados. Lá pelas tantas, toda a praia sai correndo gritando de felicidade em direção a um bar. Como todo o mundo, mas sem saber o porquê, corremos para o tal bar.

Eis o motivo da correria:

“Tô viajando na onda
Dessa menina
Que dá aula de inglês
Toma vinho português
E vive rindo
Da minha ignorância
Mas a minha tolerância
Vai fundir a sua cuca…
Vou te bater uma real
Vou dizer que sou o tal
Bater um papo no café
É papo de jacaré
Mas vê se fala por favor
A minha língua”



Foi chocante ver toda aquela gente-linda-sarada-bronzeada cantar, dançar e correr por esse clássico da música brasileira (sendo bem querida). Dançamos um pouco, para não pagar de malas, e saímos dali. Minha amiga rumou ao bar, eu fui para a fila do banheiro. Na fila:

- Gaúcha né?, me pergunta um paulista sem ter me ouvido falar.

- Sou, como tu sabes?, respondi.

- Pelo jeito de chegar, parar na fila e olhar o painel de fotos.

- Já volto, vou ao banheiro.

O paulista ficou o resto da noite conversando comigo e minha amiga. A casa em que ele estava era em Garopaba, perto da nossa. Naqueles dias, ficamos amigos. Hoje, em São Paulo, ele é uma das pessoas que melhor me acolhe. Me convida para ir a lugares legais, me apresenta pessoas divertidas e se mostra preocupado com uma moça que há dez anos ele conheceu em uma fila de banheiro. Quando tudo está perdido, surpresas maravilhosas acontecem, e duram por uma vida.





Haoule paga mico e mostra a bunda

22 08 2009

Cai com estilo que alguém te segura!

São Paulo tem sido uma boa surpresa pra mim. Tudo é novo e ainda procuro me coordenar na cidade. Gosto de testar caminhos, conhecer lugares que só um bom paulistano descobre e perambular pelo clássico, conhecido e divulgado pela Secretaria de Turismo da metrópole. Para morar, escolhi um lugar que me lembra Porto Alegre, bem bairrista e com moradores descolados. Como não é muito perto do trabalho, a primeira ação foi checar o transporte e verificar o tempo gasto no trânsito da cidade.

Dois trajetos de táxi, ambos com o mesmo preço, ida e volta. Valor razoável, dá pra encarar. Mas o melhor trajeto mesmo é de trem: são 15 minutículos no percurso e poucas quadras para andar.

Entro no trem e sinto cheiro de esgoto. É um fedor, mas um fedor tão grande que não consigo descrever. O trem costeia o rio Pinheiros e o ar-condicionado (ou as janelas abertas) do transporte jogam no vagão um cheiro de cachorro-morto-no-meio-do-cocô. É nojento, bizarro. Na estação, saio feito uma destrambelhada, para me livrar o mais rápido possível da catinga. Ando em direção ao shopping que tem acesso ao prédio do meu trabalho.

Roupa Velha, quem a conhece sabe, tem um andar calmo. Não gosta de cooper, só corre em fuga e olha mais o que tem em volta do que possíveis obstáculos pelo chão.

Entrar no tal shopping pela direção que venho (via Marginal Pinheiros) já impõe outra novidade: ao invés de uma porta (o que seria muito normal para um recinto moderno e descolado), uma superentrada por um café bacana, cheio de gente bonita e bem vestida.

Num passar calmo, dentro de um microvestido de inverno todo brilhante e usando uma bota que termina no joelho, paro bruscamente no caminho. Um degrau totalmente fora de contexto surge em frente aos meus pés e me impedem de prosseguir. Tropeço, escorrego e caio. Numa situação totalmente fora de script, meu vestido voa e fica na altura do pescoço. Fico estirada no chão, mostrando o detalhe traseiro do meu modelito e, literalmente, o traseiro.

Uma santa alma me dá sua mão, me ergue e me põe em pé. Me recomponho, dou um sorriso de agradecimento e saio dali embaraçada e com a maior certeza que eu já tive na vida: todo o mundo tem bunda, e todo o haoule* mostra a sua.

*Haoule é o surfista não local que invade uma praia e se debate no mar. Todo o mundo que é de fora pode ser considerado haoule, e é assim que Roupa Velha se sente, na capa da gaita, em São Paulo.





Sexta Sessão faz meu cabelo brilhar

18 08 2009

Amo ter colegas prendadas. E a prenda moderna da chefona da reportagem da redação é desenhar. Fiquei iluminada, e com um cabelo brilhante. Gostei!

Desenho: Liana Pithan





Caí de minissaia, pernas abertas, na frente dos meus amigos

11 07 2009

Ando numa fase engraçada e nostálgica. Ainda sem teto em São Paulo passo revivendo momentos legais. Os divertidos são, obviamente, os que prendem meus pensamentos. Em poucos dias estarei de aniversário e tenho de escolher um lugar para comemorar. O local tem que ter personalidade, meus amigos são exigentes, têm bom gosto. Mas o principal é que seja um ambiente discreto e reservado, porque lá certamente acontecerão coisas que ninguém vai acreditar.

Há nove anos, festejei meus 22 anos em um lugar bacana de Porto Alegre. Palco no centro do lugar, quatro músicos tocando um rock suave e o público sentado em torno da banda, apreciando o som, conversando e bebendo como se estivesse na sala de casa burguesa. A noite avança, as pessoas entram e saem, a banda termina o show e nós, para variar os últimos da festa, resolvemos desertar.

- “Nem dancei”, disse a um amigo a caminho do carro já no estacionamento do lugar.

- “Vem cá”, me puxou ele, com toda a sua malemolência.

O amigo-bailarino cantava Singing in the Rain enquanto uma chuva rala caia sobre nós. Os outros riam, alguns faziam coro para a dança, e nós entramos em um mundo a parte, de passos longos, como se fossemos os primeiros bailarinos do mais importante grupo de dança do mundo. Nesse mundinho a parte, de cantoria e dança no estacionamento, meu par resolveu fechar a dança com “chave de ouro”. Ele colocou suas mãos em minha cintura, me ergueu, girou seu corpo num movimento rápido, me jogou no ar me pegando novamente e, emocionado me disse:

- “Gira no ar e ergue o corpo!”

Ele me jogou. Meu corpo voou e, como uma pluma, despencou no chão. Caí de pernas abertas e na frente de todos os meus amigos. Todos me olhavam com expressões de espanto enquanto o bailarino, reparando que alguns observavam o que não deviam, me estendeu as mãos e disse: “levanta rápido que tua saia virou um cinto”.

Foi uma ótima festa, e eu nunca mais dancei em estacionamentos.








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