
Manter a bunda em sigilo é um poder dos anônimos
Nos segundos iniciais de 2009 – sem motivo aparente – pensei em dar um mergulho na praia. Na Porto Alegre vazia daquele Réveillon, só me restava descansar para encarar um dia intenso de trabalho já nas primeiras horas do dia 1º de janeiro. E assim foi o ano passado: trabalho, trabalho e mais trabalho. Teve mudança também, e a chegada a São Paulo foi na verdade a grande virada que vivi.
Um ano depois, no Rio de Janeiro, deixei de lado as milhares de simpatias que sempre fiz nos dias 31 de dezembro. Drinque vai, drinque vem, percebi que estava ali, naquela cidade, exatos 365 dias depois de desejar aquele mergulho. A cobertura lotada da virada em Ipanema era a algumas quadras da praia, em um ponto seguro e discreto já que nesse dia a loucura do Rio acontece mesmo em Copacabana. Uma amiga queria respirar o ar de Iemanjá, já a ideia da outra era a de pular as “sete ondas”.
E lá, na beira da praia, corri feito uma desesperada, tirei o vestido e pulei na água. Enquanto a amiga das ondas pulava (também seminua) dentro d’água, a outra tomava conta de nossas roupas. Criei uma nova simpatia e resolvi pular 12 ondas (uma para cada mês do ano) já que eu nunca entendi a lógica das sete ondas mesmo. Após o mergulho, nos recompomos, vestimos os trajes e voltamos para a festa da cobertura como se ninguém fosse capaz de perceber nosso sal no lombo.
Aquele amigo, percebeu…
- Tá brotando areia de ti. Tá caindo pelas pernas.
- Pois é, tá estranho, eu tomei uma ducha, respondi.
- Mas tu mergulhaste?
- Do pescoço pra baixo para manter o cabelo e a maquiagem.
- “A fina”, mas tá expelindo areia, resolve isso, me aconselhou o amigo.
O tijolo de areia que se criou na minha calcinha fez um rastro da beira-mar ao apartamento. Porque sem um mico, Roupa Velha não teria estreado bem 2010.









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