Guia prático para metrossexuais não iniciados

6 10 2009

Você não sabe o real motivo para o fim daquele affair? Pois então descubra o que a cueca diz sobre um homem, postado hoje por Roupa Velha no blog
Em Busca do Phino.





Eu amo os teus pais

3 10 2009

Na tradução do alemão para o português: "Eu amo os teus pais"

Ter muitos amigos significa, necessariamente, conviver com a superação do outro. Eu não sou normal, mas isso todo o mundo sabe. O que poucos sabem é que tenho amigos mais insanos que eu. Casados ou solteiros, os homens de 30 têm provocado em mim gargalhadas deliciosas.

Em uma noite fria do inverno deste ano – que foi rigoroso em Porto Alegre -, fui a um bar delicioso especializado na culinária basca. Tem lareira, sofás, meia-luz, clima e o melhor: drinques exóticos. Nesta noite o bar se dividia assim: os que convidados de Roupa Velha (noite de comemoração do aniversário de 31 anos), os convidados do amigo viajante (despedida do cara que foi para a Austrália no dia seguinte) e os convidados de ambos.

Drinque vai, cerveja vem, alguns foram dando adeus, enquanto os solteiros se animavam cada vez mais. Dentre as amigas do viajante estava uma galera européia: moças que moram e estudam na cidade. Meninas da Alemanha atraem o olhar de todo o gaúcho, não pelo biótipo (porque descendente de alemão tem “a rodo” em Porto Alegre), mas pelo sotaque e a vontade de fazer um intercâmbio sexual.

O galã, amigo em comum de Roupa Velha e do viajante, ficou horas e horas investindo na ruiva alemã. O cara tem um histórico sensacional: já angariou muitas das minhas amigas, é o tipo que parece tímido, bom papo, boa companhia, bonito. Ao ver todo o mundo no caixa para pagar a conta, inclusive sua ruiva, galã ruma ao bote final ao que naquela altura já figurava a repescagem.

- Tu só me disseste o teu apelido, mas qual é o teu nome?, perguntou ele para a alemã que, sim, fala português.

- Frederica!, respondeu com um sorriso.

- Ahhhh! Frederica é tudo! EU AMO OS TEUS PAIS, gritou o galã enlouquecido para a guria.

Ela estranhou a frase, mas seguiu a conversa. Eu me descontrolei e ri por uma semana. O amigo viajante achou o cara desesperado e a amiga que nos acompanhava estava certa de que o galã teve um surto durante a gritaria.

Fato é: quando eu saí do bar, galã e ruiva alemã estavam aos beijos.





Duas mulheres, muitos homens, um amigo

24 09 2009

Sempre viajo a la Telma e Louise, mas me mantenho viva

Aos 21 anos fui curtir meu primeiro verão solteira em Santa Catarina. O namoro terminara há pouco tempo e eu estava numa fase leve, com vontade curtir a vida, dançar sem preconceitos, experimentar coisas novas e me divertir. Minha amiga conhecida como “sereia do mar” me acompanhou na primeira de muitas viagens que viriam. Abrimos os trabalhos em Garopaba e as férias seguiram na Guarda do Embaú (ô lugar lindo), mas esta é outra história.

Duas mulheres de vinte, sozinhas, em uma praia paradisíaca é necessariamente igual a diversão, gargalhadas, paixões, bebidas e beijos na boca. É raro conquistar um amigo numa situação dessas, mas eu tive sorte em meio a loucura de uma noite quente.

Na primeira noite abrimos os trabalhos em um bar à beira-mar sentindo o cheiro da brisa e curtindo o agradável silêncio da maré. Em meros 5 minutos no local, sentam-se ao nosso lado dois argentinos. Era um blá-blá-blá-blá-blá surreal que a gente não aguentou. Queríamos fugir dali, e foi o que fizemos. Duas horas depois, já em outra praia, descobrimos que nenhuma pagou a conta. Não sentimos culpa: naquela época o peso estava igualado ao dólar e o real desvalorizado, então 1 peso argentino valia R$ 2. Nem doeu no bolso dos caras.

- E agora, como vamos pra Ferrugem?, perguntei.

- Com os nossos novos amigos que nos ofereceram carona mais cedo, respondeu minha amiga.

No carro dos tais guris mineiros, rumo à noite da Ferrugem, decidimos com um simples olhar dar um perdido neles assim que chegássemos à praia. O motivo? Ao entrar na estrada de chão batido que dá acesso ao lugar, o trio mineiro sacou dos bolsos um charuto de maconha.

Descemos do carro, inventamos uma vontade louca de ir ao banheiro, e demos a fuga. Paramos num bar hip hop da Ferrugem, abrimos os trabalhos de jogadas de cabelo, olhares e papos furados. Lá pelas tantas, toda a praia sai correndo gritando de felicidade em direção a um bar. Como todo o mundo, mas sem saber o porquê, corremos para o tal bar.

Eis o motivo da correria:

“Tô viajando na onda
Dessa menina
Que dá aula de inglês
Toma vinho português
E vive rindo
Da minha ignorância
Mas a minha tolerância
Vai fundir a sua cuca…
Vou te bater uma real
Vou dizer que sou o tal
Bater um papo no café
É papo de jacaré
Mas vê se fala por favor
A minha língua”



Foi chocante ver toda aquela gente-linda-sarada-bronzeada cantar, dançar e correr por esse clássico da música brasileira (sendo bem querida). Dançamos um pouco, para não pagar de malas, e saímos dali. Minha amiga rumou ao bar, eu fui para a fila do banheiro. Na fila:

- Gaúcha né?, me pergunta um paulista sem ter me ouvido falar.

- Sou, como tu sabes?, respondi.

- Pelo jeito de chegar, parar na fila e olhar o painel de fotos.

- Já volto, vou ao banheiro.

O paulista ficou o resto da noite conversando comigo e minha amiga. A casa em que ele estava era em Garopaba, perto da nossa. Naqueles dias, ficamos amigos. Hoje, em São Paulo, ele é uma das pessoas que melhor me acolhe. Me convida para ir a lugares legais, me apresenta pessoas divertidas e se mostra preocupado com uma moça que há dez anos ele conheceu em uma fila de banheiro. Quando tudo está perdido, surpresas maravilhosas acontecem, e duram por uma vida.





Haoule paga mico e mostra a bunda

22 08 2009

Cai com estilo que alguém te segura!

São Paulo tem sido uma boa surpresa pra mim. Tudo é novo e ainda procuro me coordenar na cidade. Gosto de testar caminhos, conhecer lugares que só um bom paulistano descobre e perambular pelo clássico, conhecido e divulgado pela Secretaria de Turismo da metrópole. Para morar, escolhi um lugar que me lembra Porto Alegre, bem bairrista e com moradores descolados. Como não é muito perto do trabalho, a primeira ação foi checar o transporte e verificar o tempo gasto no trânsito da cidade.

Dois trajetos de táxi, ambos com o mesmo preço, ida e volta. Valor razoável, dá pra encarar. Mas o melhor trajeto mesmo é de trem: são 15 minutículos no percurso e poucas quadras para andar.

Entro no trem e sinto cheiro de esgoto. É um fedor, mas um fedor tão grande que não consigo descrever. O trem costeia o rio Pinheiros e o ar-condicionado (ou as janelas abertas) do transporte jogam no vagão um cheiro de cachorro-morto-no-meio-do-cocô. É nojento, bizarro. Na estação, saio feito uma destrambelhada, para me livrar o mais rápido possível da catinga. Ando em direção ao shopping que tem acesso ao prédio do meu trabalho.

Roupa Velha, quem a conhece sabe, tem um andar calmo. Não gosta de cooper, só corre em fuga e olha mais o que tem em volta do que possíveis obstáculos pelo chão.

Entrar no tal shopping pela direção que venho (via Marginal Pinheiros) já impõe outra novidade: ao invés de uma porta (o que seria muito normal para um recinto moderno e descolado), uma superentrada por um café bacana, cheio de gente bonita e bem vestida.

Num passar calmo, dentro de um microvestido de inverno todo brilhante e usando uma bota que termina no joelho, paro bruscamente no caminho. Um degrau totalmente fora de contexto surge em frente aos meus pés e me impedem de prosseguir. Tropeço, escorrego e caio. Numa situação totalmente fora de script, meu vestido voa e fica na altura do pescoço. Fico estirada no chão, mostrando o detalhe traseiro do meu modelito e, literalmente, o traseiro.

Uma santa alma me dá sua mão, me ergue e me põe em pé. Me recomponho, dou um sorriso de agradecimento e saio dali embaraçada e com a maior certeza que eu já tive na vida: todo o mundo tem bunda, e todo o haoule* mostra a sua.

*Haoule é o surfista não local que invade uma praia e se debate no mar. Todo o mundo que é de fora pode ser considerado haoule, e é assim que Roupa Velha se sente, na capa da gaita, em São Paulo.





Sexta Sessão faz meu cabelo brilhar

18 08 2009

Amo ter colegas prendadas. E a prenda moderna da chefona da reportagem da redação é desenhar. Fiquei iluminada, e com um cabelo brilhante. Gostei!

Desenho: Liana Pithan





Caí de minissaia, pernas abertas, na frente dos meus amigos

11 07 2009

Ando numa fase engraçada e nostálgica. Ainda sem teto em São Paulo passo revivendo momentos legais. Os divertidos são, obviamente, os que prendem meus pensamentos. Em poucos dias estarei de aniversário e tenho de escolher um lugar para comemorar. O local tem que ter personalidade, meus amigos são exigentes, têm bom gosto. Mas o principal é que seja um ambiente discreto e reservado, porque lá certamente acontecerão coisas que ninguém vai acreditar.

Há nove anos, festejei meus 22 anos em um lugar bacana de Porto Alegre. Palco no centro do lugar, quatro músicos tocando um rock suave e o público sentado em torno da banda, apreciando o som, conversando e bebendo como se estivesse na sala de casa burguesa. A noite avança, as pessoas entram e saem, a banda termina o show e nós, para variar os últimos da festa, resolvemos desertar.

- “Nem dancei”, disse a um amigo a caminho do carro já no estacionamento do lugar.

- “Vem cá”, me puxou ele, com toda a sua malemolência.

O amigo-bailarino cantava Singing in the Rain enquanto uma chuva rala caia sobre nós. Os outros riam, alguns faziam coro para a dança, e nós entramos em um mundo a parte, de passos longos, como se fossemos os primeiros bailarinos do mais importante grupo de dança do mundo. Nesse mundinho a parte, de cantoria e dança no estacionamento, meu par resolveu fechar a dança com “chave de ouro”. Ele colocou suas mãos em minha cintura, me ergueu, girou seu corpo num movimento rápido, me jogou no ar me pegando novamente e, emocionado me disse:

- “Gira no ar e ergue o corpo!”

Ele me jogou. Meu corpo voou e, como uma pluma, despencou no chão. Caí de pernas abertas e na frente de todos os meus amigos. Todos me olhavam com expressões de espanto enquanto o bailarino, reparando que alguns observavam o que não deviam, me estendeu as mãos e disse: “levanta rápido que tua saia virou um cinto”.

Foi uma ótima festa, e eu nunca mais dancei em estacionamentos.





Cafajeste está para fubango como canalha está para cavalheiro

11 06 2009

Ilustração: Tonha Fever

Aprendi a fazer divisões com as coisas e pessoas. Homens eram até pouco tempo, para mim, divididos em três categorias: Louco de Pedra, Gato Suado Malhado e Bem Direito.

Animador de festa, ídolo nato, adorado pelo mundo. O Louco de Pedra grita – não de dor ou raiva, mas de pura felicidade –, bebe sempre que tem uma folga no trabalho (às vezes estende por alguns dias da semana, ou todos), vive sua popularidade e ensina ao mundo que ser especializado no footing é uma arte admirável e para poucos.

Lindo, desconcertante, dono de um físico impecável. O Gato Suado Malhado é confiante no próprio taco, saudável, acorda cedo para praticar atividade física, geralmente prefere natureza a festas noturnas, tem o poder de hipnotizar as pessoas e é dono da melhor auto-estima já inventada.

Sensual, enigmático, envolvente. O Bem Direito ignora sua capacidade de dominação. É o tipo amigo, tem o perfil ideal para casar e todo o “seu poder” está na ignorância que tem sobre o controle que gera no outro. É gentil, companheiro e geralmente tem uma profunda (sentimentalmente falando) embora pequena “coleção de namoros”.

Existe ainda aquele tipo que mescla ora um, ora outro perfil, mas todo o homem se enquadra (em uma visão feminina) nas variantes acima. Há pouco tempo descobri mais: entendi que dentro desses perfis ainda existe o Cafajeste e o Canalha, e eles são completamente diferentes um do outro.

Cafajeste é garanhão, está no olhar deste homem sua necessidade de conquista. O Cafajeste é movido pela fubangagem, ele quer ser feliz, quer fazer uma mulher feliz. Não promete casamento, não promete namoro, não promete jantar a luz de velas. Ele quer espalhar orgasmos porque veio ao mundo para se divertir e deixa isso bem claro.

Já o Canalha é um típico cavalheiro, mas promete coisas que não pode cumprir. O Canalha não chega a trair sua mulher (como o Cafajeste pode fazer) e faz planos mirabolantes em pouco tempo de relacionamento. Este é aquele cara que termina um casamento subitamente porque se apaixonou perdidamente por outra, ou quer reviver uma paixão mal resolvida do passado.

O Cafajeste deixa claro ao mundo quem é. O Canalha se esconde e vive a risca o famoso “eterno enquanto dure” em suas breves relações. Um não é nem melhor nem pior que o outro, embora eu tente passar longe de ambos. Bom mesmo é o cavalheiro que ainda pode vir escondido nos tipos Louco de Pedra, Gato Suado Malhado e Bem Direito.

*** Ilustradora oficial do Roupa Velha, Tonha Fever é uma mulher que sabe gerar figuras e fez o tapa-sexo deste post.





Sonha bem, e eu nem sou gostosa

11 05 2009

 Ilustração: Diego Medina

Sou espalhafatosa, mas não gosto de me expor. Minha mente é absolutamente insana, embora secreta. Tenho uma memória de elefante, para tudo e todos. Guardo detalhes físicos dos seres que me atraem de alguma forma – física, amigável ou sexualmente. Tenho sonhos freqüentes, coloridos, lembro de muitos: são geralmente psicodélicos e me fazem acordar rindo. Sou boa ouvinte, observo como um predador, fico muito em silêncio, empresto o ombro sempre e para quem precisar, falo pouco sobre o que penso dos outros – a não ser que minha opinião seja claramente solicitada. Agora, eu gosto mesmo, é de falar muita bobagem e gargalhar.

Entre besteiras ditas, conheço pessoas. E conhecendo, me atraio por elas. As atrações são surpreendentes: surgem amigas lindas, amigos ótimos, paixões, conhecidos ou seres “para bloquear” (o número de gente bloqueada, claro, é ínfimo se comparado ao de tipos atraentes porque o meu olhar predador já mata no primeiro contato quem não me interessa).

Certo dia surtei no trabalho porque os americanos fizeram uma pesquisa “reveladora”. Descobriram que os homens (de lá) consideram as mulheres morenas pessoas inteligentes e para casar, enquanto as loiras são sexies e para se divertir. Injusto com morenas e loiras, já que pela pesquisa morena é parideira e loira é só para sexo, me revoltei porque toda mulher – umas mais, outras menos – pelo menos uma vez na vida, se monta para ser gostosa. Podem me julgar, mas eu não tenho vergonha de dizer: já me botei decotada para ser gostosa. Mas nunca fui bem sucedida no meu querer, sempre fui levada a sério. Desabafo: ainda sim eu queria ser gostosa, mas os queridos americanos fizeram esse estudo super edificante que exterminou em mim o sonho – não de ser comparada a qualquer mulher hortifrutigranjeira e todas as qualidades peculiares e individuais desses perfis – de ser minimamente gostosa. No dia em que lamentei essa pesquisa, um contato que dormia há muito tempo, surgiu assim:

Conhecido: – Oi, como você está?

Roupa Velha: – Estou bem, e tu? Quanto tempo…

Conhecido: – É mesmo. Quero contar uma coisa: sonhei com você.

Roupa Velha: – Aé?

Conhecido:- Estávamos trabalhando sozinhos numa sala imensa, verão, um calor, já era tarde.

Roupa Velha: – E aí?      

Conhecido:- Posso contar mesmo o sonho? Não quero que você se ofenda.

Roupa Velha: – Conta, pelamor.

Conhecido: – Ficamos, e você é linda no meu sonho.

O conhecido virou, em pouco tempo e muitos sonhos, um doce amigo. Os sonhos dele são perfeitos e com cenários impressionantes, amo todos. Neles eu sou linda, perfumada, bem sucedida e faço coisas boas. O cara sonha tão bem que me deixa com vontade de frequentar os lugares-cenários em que apareço. Os detalhes descritos transformam o relato do sonho em algo atraente e apaixonante. Bom pra mim que no dia que fiquei furiosa com os americanos por conta da pesquisa tosca descobri que “gostosa” não é realmente uma palavra que me define.

*** Agradecimentos especiais a Diego Medina que fez o desenho divino para ilustrar este post. ***





O Brasil merece um footing duplo twist carpado

3 05 2009

Espacato aéreo

Aos 14 anos, levei minha prima do interior numa festa da galera. Linda, a moça arrasava na pista e encantava os homens como a carne nova do pedaço. Em grande estilo (porque minha família tem pedigree) a prima se lança no ar e aterrissa num espacato perfeito (usando jeans). Todos voltaram os olhos a mim, que optei por uma expressão blasé e um giro rápido de corpo e pernas que me levaram ao bar. Aos 30, todos os meus amigos recordam a cena e perguntam pela prima simpática, com flexibilidade e incrível aptidão para o duplo twist carpado.

Anos mais tarde, relembrando aquela noite, aprendi que existe uma linha tênue que liga com sucesso o foothing à apelação. Chegar nela é difícil, mas geralmente dá certo. No trabalho ou em eventos sociais, a expressão corporal que temos frente ao outro nos torna o que somos, mas chegar no footing duplo twist carpado não é fácil.

Após muita insistência da galera (um outro grupo de pessoas, não aquele que conheceu a prima), Roupa Velha e sua amiga-metade aderiram a idéia de entrar naquela festa organizada só para o pessoal das antigas da faculdade. Para surpresa de ambas, o local não era insalubre, as pessoas muito bem educadas, mas a música… De qualquer forma, a idéia era a pura e simples diversão, num reviver musical de velhos tempos. Entre uma dança e outra, um pulinho no banheiro. Subitamente, uma correria de mulheres rumo à pista. Lá fui eu, invadi a roda dos meus amigos e puxei o passinho:

 “Dale a tu cuerpo alegria Macarena
Que tu cuerpo es pa’ darle alegria y cosa buena
Dale a tu cuerpo alegria, Macarena
Hey Macarena”

Estávamos reunidos entre jornalistas e publicitários que, pasmem, tem ouvidos exigentes. Certamente quem viu aquele bando dançando Macarena fez a tal expressão blasé que um dia eu dirigi a minha prima. Naquele dia, cheguei ao footing duplo twist carpado coletivo. E estava tão bom que saímos da festa às 6h da manhã, em direção a outro boteco.





Boca de bêbado não tem dono

9 04 2009

Ilustração: Larissa Magrisso

- Vamos sair sem os guris num lugar diferente pra não encontrar ninguém?, perguntou a amiga que presenciou a cena da minissaia .

- Topo!, disse Roupa Velha.

A amiga em questão estava reinventando sua solteirice. O ex-noivo era também amigo de infância e participava, com sua nova namorada, de todos os eventos sociais “da galera”. Para a noite em questão era fundamental manter sigilo e eventuais convites, para evitar encontros. Ao sair de casa, Roupa Velha diz: “estou indo no lugar X com a fulana”.

Lugar bacana, com música boa. Daqueles bons para conversar e rir só para expor a figura em meio a um monte de gente bonita. Após uma hora de diversão em dupla, o grito:
- E aí gurias! Legal esse lugar, que bom que achamos vocês.

A frase espantou por dois motivos:

1º: não queríamos ser achadas e chegamos à conclusão que algum ser humano da família de Roupa Velha informou onde elas estariam;

2º: o berro saiu da boca do irmão gêmeo do ex-noivo da fulana.

Confusão feita, o importante era que o dito cujo não estava lá. No fim da festa o grupo resolveu esticar um pouco mais. Optaram por um posto de conveniência, também incomum em suas rotas noturnas, mas bastante frequentado naquela época por bêbados em fim de festa.

Entre uma gargalhada e outra, o gêmeo ataca a amiga ex-cunhada, prensa a moça no carro, fecha o olhos e tenta o beijo. Fulana olha apavorada para Roupa Velha num gesto nervoso de pedido de socorro. No mesmo instante, Roupa Velha vê – pasme – o ex-noivo chegando de carro (solteiro). Na intenção de salvar o amor entre os gêmeos e manter a integridade da amiga (dela) ex-noiva (do gêmeo que estava chegando) ex-cunhada (do gêmeo que partia para o ataque), Roupa Velha entrou em ação.
Num movimento brusco, Roupa Velha puxa pra cima (sim, pra cima, os gêmeos têm estatura baixa) o braço do gêmeo que prensava sua amiga, gira o moço, flexiona os joelhos para simular a altura da amiga e beija o bebum.

A amiga sai imediatamente do enlace e já é cumprimentada pelo seu ex-noivo, sai com ele de mãos dadas, enquanto Roupa Velha termina o beijo, tira os braços do rapaz da volta dela e sai dali. A amiga agradece, o bêbado não entende nada quando vê seu irmão de mãos dadas com a mulher que “ele acabara de beijar”, e um amigo japa explode de tanto rir.

A história aconteceu há sete anos, e em algum dia de março deste 2009 que começou com mercúrio retrógrado, o tal japonês disse a Roupa Velha:

- Ele acha, até hoje, que beijou a fulana.

- Nunca contaste?, perguntou Roupa Velha.

- Não, boca de bêbado não tem dono.

- Tu és foda japonês!

*** Sempre Tonha, Larissa Magrisso é mais que especial. É a ilustradora oficial do Roupa Velha e merece muito gliter. Ela dará o ar da graça aqui mais vezes. ***